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domingo, 13 de maio de 2012

SESMARIAS DA PARAIBA

JOÃO DE LYRA TAVARES


APONTAMENTOS PARA A
HISTÓRIA TERRITORIAL
DA PARAHYBA


Edição Fac-similar




Coleção Mossoroense
Volume CCXLV
1982

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SESMARIAS DA CAPITANIA DA PARAHYBA


Nº 101 EM 9 DE MAIO DE 1712

Nossa Senhora do Pilar e Engracia Ferreira, viuva de Amaro Pereira, moradora no sitio de Nossa Senhora do Pilar, junto ao rio Tegiá, a que vulgarmente chamam rio das Maris, diz que possuindo o dito seu marido oitocentas braças de terras do dito rio para parte do Tibiry, em que fundaram a capella de dita Senhora e deixaram quatrocentos braças para sua congrua; e alcançando noticia que entre as terras dellas supplicante e as de Gaspar de Amorim e o Pe. João de Araujo poderia haver algumas sobras pedio ella supplicante e se lhe concederam pela data junta, na qual houve a equivocação, que devendo ella supplicante pedir as terras, que se achassem entre o dito rio das Maris, assim e da mesma sorte que vae correndo do dito ponto de Sebastião de Carvalho, que é onde se fez um navio e se chama o porto até onde fica o marco de Gaspar de Amorim, correndo do dito porto para as nascenças do dito rio toda a terra que se achar entre o dito rio e o rumo de Gaspar de Amorim, além das ditas suas oitocentas braças que posse para congrua e sustentação da dita capella, e bem assim quinhentas braças de largo e mil e quinhentas de comprido que pertencem a um heréo com o dito Gaspar de Amorim e João de Araujo, a qual posse fica do rumo que requereu o dito Gaspar de Amorim para dentro, também para dita capella e nesta forma fica declarada a dita equivocação que houve na dita data junta e por ser para tão santo fim e se lhe haver já concedido pedia. O Provedor informou que acabando a medição das terras de Gaspar de Amorim e das mais que a supplicante nomeia, ficou alguma de fora do primeiro rumo, donde se começou até o fim della entre a qual tem a supplicante a capella de N. S. do Pilar, e como sejam sobras, se podem dar para dita capella, não prejudicando a terceiro; e quanto as quinhentas braças de terras que diz ‘essas sao da data, que demarquei, a qual pertence a varios donos, sendo uma só a data, que e a de que faz menção a supplicante, e não tenho noticia, a qual delles pertencem as ditas 500 braças: a terra que ficou de fora do dito primeiro rumo e donde se poz o primeiro marco, junto ao mangue e ao rio das Mares, que antes se chamava Tegió donde se mette no salgado pelo dito rio das Mares acima até o segundo marco e fica a dita terra entre o dito rumo e o dito rio’. Foi feita a concessão para congrua da capella do Pilar da terra que se achar devoluta no dito sitio e rumo acima declarado, conforme a informação do Provedor, no governo de João da Maia da Gama.

Nº 102 EM 26 DE AGOSTE DE 1712

Desembargador Christovão Soares Romão, diz que no fim da Rua Nova, e principio da  rua da Ladeira, que corre para o sul, estavão chãos devolutos e desaproveitados desde o tempo da restauração até o presente, em que se podiam fabricar cazas para se continuar a dita rua da Ladeira, e porque a elle supplicante acompanharam os seus escravos pelos sertões, varios annos, nas diligencias em que elle supplicante andou em serviço de S. M. e alguns delles o não hão de acompanhar para o Reino, lhes quer fazer casas em que fiquem accommodados, e em beneficio da republica e de S. M. o augmentar-se as cidades e povoações, pelo que pedia que em consideração ao serviço que havia feito lhe fizesse mercê de seis braças de terras para casas, por devolutas e desaproveitadas, no referido lugar, começando-se a medir da caza da preta Antonia, correndo para o Norte, com outro tanto de largura para quintaes, correndo para leste até onde fizer meio com as da fronteira das cazas da rua Nova do Rosario que ficam da parte de oeste da dita rua. Foi feita a concessão no governo de João da Maia da Gama.

Nº 103 EM 1 DE DEZEMBRO DE 1712

Capitão Pascacio de Oliveira Ledo, tendo servido a S. M. nas conquistas dos sertões desta capitania fazendo a sua custa guerra ao gentio bravo por ordem do dito senhor e nas occasiões de rebate desta praça acudiu sempre como leal vassallo com os seus soldados, sustentando-os a sua custa, e não tinha terras capazes para lavouras, por serem os sertões somente para gados e como elle supplicante tinha já bastantes annos com a obrigação de mulher e filhos lhe era necessario accommodar-se para melhor se poder sustentar; e como de presente com muito trabalho e dispendio de sua fazenda, descobriu um olho d’agua no pé da serra chamada Bodopitá, na qual havia terras devolutas e até o presente sem serem cultivadas para lavouras e do pé da dita serra para baixo, fazendo-lhe beneficio se pode também crear, e como elle supplicante as pode aproveitar, requeria duas legoas de terras na dita serra nas ilhargas de André Vidal e Oliveiras, começando do pé da dita serra do norte para o sul com as ditas duas legoas de comprido, pelo pé de cuja serra corre um riacho salgado e com uma legua de largo, a qual se medirá para a parte do nascente 1400 braças e para o poente 1000 braças, e sendo caso que para a parte do poente não haja terra sempre se poderá encher da que faltar pela porte do nascente e poderá tambem fazer do comprimento largura do que lhe faltar para encher-se da largura da dita legua, para que lhe fique sempre uma legoa, que está em cima da dita serra. Foi feita a concessão das duas legoas de comprido e uma de largo com as confrontações referidas, no governo de João da Maia da Gama. Em 22 de Janeiro de 1732, o concessionário pediu ratificação, no governo de Francisco Pedro de Mendonça Gurjão, com a seguinte petição: o capitão Pascacio de Oliveira Ledo, morador no sertão desta capitania, tendo pedido uma sorte de terras no olho d’agua que fica ao pé da serra chamada Bodopitá, que lhe concedeu por data e sesmaria no 1º de Dezembro de 1712, com largura e comprimento, que na mesma data se declara cuja data com esta offerece, a qual sendo-lhe assim concedida, povoou a dita terra, mettendo-lhe gado de crear, beneficiando-a e fazendo-lhe largar fogo por ser inculta e muito fechada, e pelas muitas queimadas que fez resultou-lhe ficar por nome o sitio das Queimadas, e por haver naquelle tempo sublevação do gentio e outros inconvenientes não poude o supplicante fazer registrar a dita data nos livros da Fazenda Real; e para evitar alguma duvida que se lhe pode mover por falta desta solennidade, não obstante ter o supplicante continuado na posse da dita terra e tel-a desde que a pedio sempre povoada até o presente, e por isso pedia que se lhe passasse carta da data da sesmaria, ratificando-lhe a concedida. Foi feita a ratificação da carta da data da sesmaria no pé da serra Bodopitá nas ilhargas de Andre Vidal e Oliveiras, começando do pé da dita serra do norte para o sul, com duas leguas de comprimento, que se medira para a parte do nascente mil e quatrocentas braças e para o poente mil braças.

Nº 104 EM 15 DE JANEIRO DE 1713

Felippe Ferreira Villar, morador nesta capitania, diz que sendo senhor de uma sorte de terras, sitas no Mussuré, que partem pelo rumo do sul com Damião Rodrigues, principiando da parte do norte pelo dito rumo da Lagoa e pela outra parte servindo de demarcação a estrada que vai da dita lagoa para o Mussuré até entestar com terras do supplicante em cuja parte correndo o seu rumo o dito Damião Rodrigues sendo o supplicante citado, ficou uma nesga de terras mui limitada, confrontando com terras delle supplicante; e porque se seguiria grande incommodo a elle supplicante o metter-se algum senhorio na dita nesga, porque se demarcassem teriam duvidas e contendas, requeria dita terra para assim ficar socegado e livre de contendas com algum heréo. Foi feita a concessão no governo de João da Maia da Gama.

Nº 105 EM 25 DE JANEIRO DE 1713

Dezembargador Christovao Soares Romão, diz que lhe haviam sido concedidas seis braças de terra na rua da Ladeira, que era no fim da rua Nova, para fazer casas, e pegadas a ellas, correndo para o norte estavam onze braças até entestar com a fronteira das casas da travessa que vae da Misericordia que era um buraco de um barreiro, as quaes podiam servir a elle supplicante para quintal das outras casas por ficar no canto, e fazendo-se parede ficava indireitando a dita rua da Ladeira pelo que pedia lhe fizesse merce conceder as onze ditas braças de terra com a largura ate entestar com o outão das casas e quintal a ellas pertencentes, por devolutas e desaproveitadas. Foi feita a concessão no governo de João da Maia da Gama.

Nº 106 EM 15 DE MAIO DE 1713

Alferes Ignacio Ferreira Camello, diz que possuindo gados e bens com que podesse povoar algumas terras desertas, e porque no riacho chamado do Pimentel, que desagoa no rio Mamanguape, havia terras devolutas em que podia acommodar ditos seos gados, requeria legoa e meia de terras no dito riacho Pimentel com uma de largo nas testadas de Domingos da Rocha ou dos providos, por devolutas. Foi feita a concessão no governo de João da Maia da Gama.

Nº 107 EM 13 DE JUNHO DE 1713

Matheos de Araujo Rocha, morador nesta capitania, diz que tendo servido a S. M. não tinha terras, onde possa viver e crear, e porque de presente está situado em o logar chamado Lagoa de Pedra, no sertão do Paó por se achar o dito logar devoluto, quer no dito logar haver de sesmaria tres legoas de terras, começando a medir da dita lagoa legoa e meia para a parte do norte buscando um ribeiro a que chamam Tauá e da dita lagoa meia legoa para a parte do nascente outra meia legoa para a parte do poente; confrontando com terras de Domingos da Rocha pelas ilhargas do rio Paó e meia legua para a parte do sul, que fazem as tres leguas, servindo a dita lagoa de peão. Foi feita a concessão no governo de João da Maia da Gama.

Nº 108 EM 30 DE AGOSTO DE 1713

Alferes Ignacio Ferreira Camello, morador nesta capitania, diz que tendo seos gados e não tendo terras em que os possa crear, e porque no rio Pimentel que desagoa no rio Mamanguope ha terras devolutas em que pode situar os seos gados, e como ja tenha sido feita mercê a elle supplicante de legoa e meia no dito rio Pimentel, nas testadas de Domingos da Rocha e como tem por noticia não haver sufficiencia na dita legoa e meia, onde possa situar seos gados por falta d'agua e pastos, requeria mais tres legoas de terras pelo dito rio Pimentel acima com uma de largo na testada delle supplicante ou dos providos. Em razao de ja ter o supplicante legoa e meia de terras e segundo opinou o Provedor, foi feita a concessao somente de legoa e meia de comprido e uma de largo, no governo de João da Maia da Gama.

Nº 109 EM 8 DE OUTUBRO DE 1713

Marcos de Castro Rocha, Estevão de Castro Rocha, João Tavares de Castro Rocha e Antonio da Rocha, moradores nesta capitania, dizem que tendo mais de mil e quinhentas cabeças de gado vaccum e cento e tantas de cavallar, e por não ter terras em que os possa crear, tem recebido consideravel perda, e tendo noticia pelo gentio Uriá, que se achavam devolutas todas as terras que ha no rio Parahyba para a parte do sul ate o rio Capibaribe, se metteram elles supplieantes com o dito gentio pelas serras que ha entre os dois rios, entre os quaes acharam um riacho, ao qual deu o gentio o nome de Camary, o qual nasce da parte do dito rio Capibaribe e desagoa no rio Parahyba, em as quaes terras acharam elles supplitantes alguns pastos de crear gados, como o riacho que fica acima das terras em que são hereos Diogo Carvalho de Oliveira, Andre Leitão e João Cavalcante de Albuquerque e abaixo das terras dos Oliveiras; e suposto não tenhão dito riacho agua permanente todo o verão, querem elles fazer beneficio para verem se lhe podem augmentar; e porque tem feito grande dispêndio no descobrimento das ditas terras com o gentio, abrindo picadas por incognitas serras, requeriam tres legoas de comprimento

Nº 110 EM 18 DE NOVEMBRO DE 1713

Capitão Antonio Affonso de Carvalho e Manoel Rodrigues Tavares, moradores nesta capitania, dizem que tendo servido a S. M. com assistencia de sua fazenda e pessoas; e o dito Antonio Affonso ter arrematado os contractos reaes desta capitania, do anno de 1712 até 1714, todos sucessivamente, e nelles tenha recebido perdas consideraveis e se acha com os gados todos dos dizimos sem ter terras para os situar; e como a sua noticia ha vindo estar uma sorte de terras de seis legoas devolutas nas testadas do sargento mor Mathias Vidal de Negreiros, principiando defronte da barra do riacho chama do Pindoba ou Natuba, correndo pelo rio acima para a parte do norte ate confrontar com a data dos Oliveiras e para parte do poente com tres legoas de fundo da beirada do rio para a centro e pela outra parte ate confrontar com Diogo de Carvalho e os mais socios, com cuja povoação tem S. M. lucro, requeriam, portanto, seis legoas de comprimento e tres de largura, principiando das testadas do sargento-mor Mathias Vidal de Negreiros e acabando como pedem em sua petição. Foi feita a concessao, sendo tres legoas para cada um no governo de João da Maia da Gama.

2 comentários:

  1. Caríssimo historiador J. Ozildo,

    A resposta veio mais que imediata! Estes escritos raros são de suma importância para a construção da Parahyba territorial, que serviram [e servem] para pesquisas hitoriográficas. Agradeço em nome de todos os historiadores brasileiros.
    A respeito da Sesmaria n. 107 - que Joffily registrou sob o nome de Matheus de Araújo Rocha - foi uma das primeiras concessões de terras em nossa antiga Banabuyé [hoje município de Esperança], a despeito da Fazenda Banabuyé Cariá, que foi a sua origem.
    Caso deseje entrar em contato, eis o meu Email: historiaesperancense@gmail.com e nossa página na net http://historiaesperancense.blogspot.com

    Continue nos dando este prazer de conhecer um pouco mais da história das Sesmarias Parahybanas!

    Rau Ferreira
    Blog HE

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  2. Heryko Queiroz Alves5 de maio de 2017 13:00

    Gostaria de ver a sesmaria que criou sao joão do cariri datada de 1669 segundo alguns inscritos e que gostaria de ter acesso. se alguem tiver este dado por favor compartilhe comigo no meu email herykoalves@hotmail.com

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