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sábado, 11 de maio de 2013

DANTAS CORREIA
(FAMÍLIAS SERIDOENSES – I)

José Augusto Bezerra de Medeiros

O tronco da família Dantas é, no Seridó, Caetano Dantas Correia, que se fixou na fazenda 'Picos de Cima', no Acari, e chegou ao sertão como vaqueiro de um seu irmão Sabe-se, com segurança, que Caetano era filho de José Dantas Correia e Isabel da Rocha Meireles, ela paraibana e ele, a acreditar na tradição, português, senhor do Engenho Fragoso, nas proximidades do Recife, casados em 1710.
Sabe-se ainda que Caetano teve vários irmãos varões entre eles Gregório José Dantas Correia, que casou com Joana, irmã de Josefa de Araújo Pereira, filhas ambas de Tomás de Araújo Pereira e Maria da Conceição Mendonça, António Dantas Correia que casou com Mariana Monteiro da Silva, casamento em 1739, e que ficou no Engenho Fragoso; Frutuoso José Dantas, que residiu em Piranhas; e José Dantas Correia, de quem descende a família Dantas que se situou na Serra do Teixeira, na Paraíba.
Encontro também referências a Sebastião Dantas Correia, não sei se irmão de Caetano, o qual, em 1745, obteve uma data de terra ria Capitania do Rio Grande Em notas em poder do Dr. Felipe Guerra há ainda notícia de Estevão José Dantas, irmão ou parente de Caetano e de quem descendem os Dantas de São José de Mipibú.
Outros documentos antigos referem-se a vários Dantas Correia, entre eles Albino Custódio Dantas Correia, que, com Gregório Dantas, pedia e obtinha terras na Malhada Grande, no Apodi, no ano de 1778; Antônio Jácome Dantas Correia, que pedia uma concessão de terras em 1799, junto à Barra do Pitangui, alegando que seu avô materno tinha a posse delas há 80 anos; Alexandre Dantas Correia, que em 1777, com sua mulher Maria Lureana de Jesus, vendia uma propriedade nas cabeceiras do Rio Seridó, a Braz de Oliveira Ledo é José Dantas Correia, que em 12 de janeiro de 1788, pertencia ao Senado da Câmara de Natal e João Firmino Dantas Correia, que pedia e obtinha terras em 1811, no rio Choro, Aquiraz, Ceará.
Ignoro que relações de próximo ou remoto parentesco havia entre esses vários Dantas Correia e Caetano Dantas que é o ponto de partida da família nas plagas seridoenses.
Entre os descendentes de Antônio Dantas Correia, o irmão de Caetano, que ficou em Pernambuco, no Engenho Fragoso, um que devo fazer referência especial: o coronel Felismino do Rego Dantas de Noronha, que residiu em Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, fruindo grande influência social e política e caracterizando-se pela firmeza das atitudes e inflexibilidade de caráter.
 Faleceu octogenário, e exerceu sempre vários cargos de eleição, entre eles a deputação estadual, revelando-se invariavelmente homem de severa conduta e nobre proceder.
De José Dantas Correia, o chefe da família Dantas no Teixeira, há descendência ilustre, e cabe destacar o Dr. Manoel Dantas Correia de Góis, antigo político paraibano, representante da Paraíba no Parlamento Nacional e homem de considerável prestígio.
O Rio da Carnaúba, hoje município autônomo chamado Carnaúba dos Dantas, foi todo ele povoado por descendentes de Caetano Dantas Correia, a quem se deve também a fundação de Cuité, na Paraíba, cuja capela, dedicada a N. S. das Mercês, resultou de iniciativa sua conforme se verifica de escritura de doação que, em 17 de julho de 1768, com sua mulher Josefa de Araújo Pereira, fez passar de meia légua de terra para constituição do patrimônio necessário à construção da referida Capela.
Eis a escritura nos seus próprios termos originais:

"Freguesia do Cuité — 17 de julho de 1768 — Escritura de doação para patrimônio que fazem o Capitão-mor, digo, fazem o Tte. Gel. Caetano Dantas Correia e Mer. D. Josefa de Aro. Pêra, de meya legoa de terra na serra chamada Coyté da freg. da Senhora Sant'Anna do Seridó para a Capella que na dita serra pretendem erigir com a invocação Nossa Senhora das Mercês. Saibam quantos este publico instrumento de escritura de doação para patrimônio da Capella que se ha de erigir com a invocação de Nossa Senhora das Mercês na serra do Coyté ou como em direito para a sua realidade melhor nome haja virem que no anno do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e setenta e oito aos dezessete dias do mês de julho do dito ano nesta Povoação de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó Capitania da Parayba do norte no meu escritório appareceram partes presentes e outorgantes a saber o Tenente Coronel Caetano Dantas Correia e sua mulher D. Josefa de Araújo Pereira moradores na sua fazenda dos Picos de Cima Ribeira do Seridó que vivem de seus gados de mim reconhecidos pelos próprios de que se tratta e logo por elles ambos e cada um in solidum me foi ditto em presença das testemunhas adiante nomeiadas e assignadas que elles entre outros mais bens de raiz que possuíam e estavam de mansa e pacifica posse era bem assim uma parte de terras lavras na serra chamada do Coyté onde pretendiam erigir uma capella com a invocação N. S. das Mercês para patrimônio da qual disseram que doavam como de facto logo o doaram deste dia para sempre meya legoa de terra no lugar aonde for erigida a ditta capella principiando, a ditta terra doada do Olho de Agoa chamado Coyté correndo para a parte do Norte meya legoa de cumprido e hua de largo a qual doação disseram fasiam do seu motu próprio sem o constrangimento de pessoa algua mas que tão somente movidos de superiores impulsos e intensa devoção e que demettiam de si toda posse e domínio que na ditta terra doada tinham concediam e transpassavam na pessoa a quem diretamente pertença a administração da ditta capella e seus bens e delia poderão tomar posse por sy ou por autoridade de justiça e quer a tomem quer não desde logo o ham por empossado nella como posse real, actual, e corporal civil e natural pella clausula constituti e que contra este instrumento não viriam em tempo algum com duvidas ou embargos e vindo não queriam ser ouvido sem juízo nem fora delle antes eram contentes lhes fosse negado todo o recurso e acção que a seu favor allegar podessem e a Ley de Veliano que faz a favor das mulheres que de nada queriam usar senão ter e manter esta escritura e doação por elles feita na forma que nella se contem e declara a cuja firmesa disseram obrigavam suas pessoas e bens moveis e de raiz presentes e futuros em fé e testemunho de verdade assim o disseram o outorgante e pediram fosse feito este instrumento nesta nota que eu Tabellião estipuley e accetey em nome da ausente a que o favor desta possa tocar sendo a tudo presente por testemunhas que o doador assignaram o Capitão João Dantas Rothéa e João Gaya da Rocha, moradores na Ribeira do Rio do Peixe que vivem de seus gados e pella Doadora não saber ler e escrever assignou a seu rogo o Tenente Luiz Pereira Bolcão morador na Ribeira do Seridó e esta a lavrey por me ser distribuída pello juiz Ordinário, por seu bilhete. Eu António Gonsalves Reys Lisboa o escrevi".

Cuité, na Paraíba, deve assim a sua fundação a Caetano Dantas Correia, de quem um genro, António de Azevedo Maia Júnior, casado com sua filha Micaela Dantas Pereira, foi, por sua vez, o patriarca e fundador, no Rio Grande do Norte, de Jardim do Seridó, a antiga "Conceição do Azevedo".
 Caetano Dantas Correia e Josefa de Araújo Pereira tiveram filhos, dos quais, através de mais de um século de evolução, tem resultado uma descendência de alguns milhares de indivíduos. Eis os filhos de Caetano Dantas - Josefa de Araújo:
1) Simplício (Francisco Dantas, que se casou três vezes — a 1ª  com Manoela Dorneles Bentancor, filha de António Garcia de Sá Barroso, a 2ª com uma filha de João Crisóstomo de Medeiros, e a 3?- com Rita, filha de José Ferreira e Joana Lins;
2) Gregário José Dantas;
3) António Dantas Correia;
4) Caetano Dantas Correia (2°), casado com Luzia, filha de Manuel Alves da Nóbrega;
5) Manoel António Dantas, casado com Maria José;
6) Felix Dantas, casado com Francisca, filha de Manoel da Anunciação
Lira;
7) Alexandre Dantas, casado com Joana, filha de Francisco Gomes;
8) Silvestre Dantas Correia, casado com Margarida, filha de João Damasceno Pereira;
9) Clemência;
10) Josefa, casada com António Ferreira;
11) Francisca Xavier, casada com João Crisóstomo de Medeiros;
12) Micaela Dantas Pereira, casada com António de Azevedo Maia
Júnior;
13) Maria, casada com o capitão-mor Francisco Gomes da Silva;
14) Maximiana, casada com Luís Joaquim;
15) Ana, casada com António Tomás;
16) Isabel, casada com João Felipe da Silva;
17) José Antônio Dantas
Caetano Dantas Correia faleceu a 19 de julho de 1797 (12), na sua fazenda Picos de Cima, no Acari, e tinha então 87 anos de idade. Sua viúva, Josefa de Araújo Pereira faleceu, com 77 anos de idade, a 18 de julho de 1816. (13) A morte de Josefa ocorreu no Acari, morte apressada, diz o registro de óbito. Caetano era mais velho do que Josefa 29 anos.
Entre os descendentes do casal Caetano Dantas - Josefa de Araújo, alguns desempenharam papel de relevo, quer na zona do Seridó, quer em outros pontos do Estado: - Manuel Francisco Dantas foi um homem de rara energia; o Dr. Bartolomeu Leopoldino Dantas e o professor Antônio Justino Dantas tiveram realce na vida política e foram deputados à Assembleia Provincial; o Dr. Manuel Gomes de Medeiros Dantas, jornalista, professor, advogado, jurista, político de grande significação no Rio Grande do Norte, em cuja Capital faleceu como Prefeito em junho de 1924; o Dr. João Valentino Dantas Pinagé.

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