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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

FLORES - PE

A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DE UM MUNICÍPIO
José Ozildo dos Santos
Rosélia Maria de Sousa Santos
Almair de Albuquerque Fernandes


O desbravamento do território que mais tarde formaria o município de Flores iniciou-se no século XVII. Contudo, a primeira penetração registrada na História, data de meados de 1589, quando, elementos ligados à famosa Casa da Torre, por ordens de Garcia d’Avila, empreenderam uma entrada ao interior do atual Estado de Pernambuco, seguindo o leito do Rio Pajeú, em seu sentido contrário.
A História não guardou os nomes dos integrantes dessa expedição, nem mesmo de seu comandante. No entanto, a tradição local conta que a referida entrada era composta por uns vinte e tantos colonos, que “seguindo as margens de um rio desconhecido, o Pajeú, chegaram a uma aldeia de índios tapuias, localizada à margem esquerda daquele rio, no lugar hoje denominado Alto das Flores”.
Os elementos brancos que formavam a referida expedição foram todos aprisionados e depois trucidados, por ordem do guerreiro Aruan, chefe local. A tradição local também registra que na oportunidade, salvaram-se apenas duas meninas, “que os índios começaram a adorar como divindades, tal suas belezas, que deram-lhe os nomes de Aracê a mais velha e Moema a mais moça. Aquelas meninas ficaram sobe a proteção dos guerreiros mais fortes que receavam que fossem capturadas por outros silvícolas”.
Em 1603, uma segunda expedição chegou à região e encontrou os tapuias locais já “meios civilizados”, certamente, pelo contato com as duas meninas. Os portugueses e os mamelucos, que formavam essa segunda expedição, chefiados por Simeão Pereira Garrinho, entenderam-se com os aborígines e ali deram início a fundação de um arraial, construindo algumas habitações para acomodamento da tropa. O local escolhido para a fundação do arraial foi a margem direita do rio Pajeú.
O aglomerado humano, aos poucos, foi ganhando importância e mais tarde, recebeu a denominação de “Povoação de Flores”, numa alusão ao cultivo de flores ali praticado pelas irmãs Aracê e Moema. Entretanto, embora aceita pela tradição local, essa versão não possui confirmação histórica.
Durante os séculos XVII e XVIII inúmeras sesmarias foram concedidas no território da antiga “Povoação das Flores”, que se estendia do atual município de Brejinho, nos limites com Teixeira, na Paraíba, até a povoação de Cabrobó. Nos primeiros anos do século XVII, a povoação de Flores já apresentava um certo delineamento urbano, sediava a Missão de Santo Antonio de Pajé e possuía uma imponente capela dedicada à Nossa Senhora do Rosário, mantida por uma irmandade de homens de cor.
Em 1749, Francisco Dias d Ávila, senhor da Casa da Torre, doou as terras necessárias para a formação do patrimônio da futura freguesia da povoação de Flores, que somente foi criada em 11 de setembro de 1783, por provisão assinada por Dom Tomás da Encarnação Costa Lima, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, concluída em 1801

A histórica Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da povoação de Pajeú de Flores, no alto sertão pernambucano, teve seu território desmembrado da Matriz de Cabrobó. Sua instalação ocorreu no final de 1783, oportunidade em que o padre João de Sant’Ana Rocha foi empossado como seu primeiro vigário. A antiga capela de Nossa Senhora do Rosário, por ser a mais bem equipada da localidade, tornou-se sede da novel paróquia, mas continuou sediando a irmandade dos negros.
O referido templo passou por várias reformas, graça à iniciativa e aos esforços do vigário Pedro Manoel da Silva Burgos. Em 1861, foi totalmente remodelado pelo frade capuchinho Serafim de Catânia, que aqui esteve realizando suas santas Missões.
Da criação da freguesia à instalação da vila, transcorreram 27 anos. Principal núcleo de ocupação humana em todo o sertão do Pajeú, a povoação de Flores foi elevada à condição de município, com a denominação de Pajeú de Flores, através do Alvará de 15 de janeiro de 1810, assinado pelo governador da capitania Caetano Pinto de Miranda Montenegro, tornando-se a primeira vila da região.
Oficialmente, o município foi instalado no ano seguinte, pelo ouvidor José Marques da Costa. Durante a primeira metade do século XIX, a Vila de Pajeú de Flores gozou do privilégio de ser, desde as nascentes até a foz daquele rio, o centro polarizador das decisões políticas e administrativas.


Antiga Casa da Câmara, atual sede do governo municípal de Flores

A primeira alteração registrada no território de Flores deu-se em 7 de junho de 1836, quando da criação do distrito de Ingazeira, através da lei provincial nº 23. Antes, porém, em sessão do Conselho do Governo da Província de Pernambuco, realizada em 20 de mio de 1833, foi aprovada uma resolução criando a Comarca de Flores, abrangendo os termos de Cabrobó e Tacaratu, que passou a superintender toda essa vastíssima região.
No entanto, um acontecimento inesperado registrado no início da segunda metade do século XIX, trouxe sérias conseqüências ao município de Flores, determinando sua decadência econômica. Por imposições políticas, o município teve sua sede e comarca, transferidos para a povoação de Serra Talhada, que ficou elevada à categoria de vila, sob a denominação de Vila Bela, enquanto que Flores, foi reduzida à condição de povoado.
Tais transferências foram determinadas através da Lei Provincial nº 280, de 6 de maio de 1851, assinada pelo Dr. José Ildefonso de Souza Ramos, presidente da Província de Pernambuco. Flores readquiriu seu status de vila e município através da Lei Provincial nº 437, de 26 de maio de 1858.
O município foi reinstalado no dia 14 de fevereiro do ano seguinte. Posteriormente, a Comarca foi restaurada. No entanto, esse período foi suficiente para que Flores perdesse sua hegemonia na região. A vila de Flores foi elevada à condição de cidade, através da Lei Estadual 991, de 1º de julho de 1909.
Na divisão administrativa elaborada no ano de 1911, o município aparece constituído por 3 distritos: Flores (Sede), Carnaíba (ex-Carnaíba de Flores) e Colônia de Boa Vista. Tal composição foi mantida na divisão administrativa relativa ao ano de 1933. Contudo, nas divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937, o município de Flores aparece constituído de 4 distritos: Flores (sede), Carnaíba, Borborema (ex-Boa Vista de Colônia) e São Serafim. Este último, pelo Decreto-Lei Estadual nº 92, de 31 de março de 1938, passou a denominar-se Calumbi.


Aspectos da praça Dr. Santana Filho. Ao longe, vê-se o Pajeú margeando a cidade

Na década de 1950, foram criados os distritos de Quixaba (lei municipal nº 49, de 30-05-1953) e Sítio dos Nunes (lei municipal nº 50, de 30-05-1953). Em 1953, desmembraram-se de Flores os distritos de Carnaíba e Ibitiranga, para formar o novo município de Carnaíba (lei estadual nº 1819). Cinco anos mais tarde, o distrito de Quixaba foi anexado ao município de Carnaíba (lei estadual nº 3208, 02-09-1958).
Em 1963, o território de Flores sofreu nova perda. Dele desmembrou-se o distrito de Calumbi, emancipado através da lei estadual nº 4.938, de 20 de dezembro. Atualmente, o município de Flores é formado por três distritos: Flores (sede), Sítio dos Nunes e Fátima. E, é administrado pelo senhor Marconi Martins Santana, que eleito em 2004, logrou reeleição em 2008 e deverá permanecer à frente dos destinos administrativos do município até 2012.

Um comentário:

  1. Alfredo Leoncio - RJ21 de dezembro de 2011 09:37

    Flores, eu me sinto um pedacinho daí, sabem por que? porque eu sou nascido no lugar onde nasce o rio Pajeú, sim isso mesmo, o lugar chama-se degredo e nós como crianças chamávamos de "suvaco" da batinga. É que subindo o que agora aprendi como sendo a serra da balança a gente vai sair na batinga dos Milharadas, pois bem, naquele lugar da nascente já aconteciam vários fenômenos da Natureza, como por exemplo em 1953 as pedras da lagoa do Tauá pipocaram de tal forma que ninguém sabia explicar, eram tão grandes as "lages" que se formavam que nem 50 homens podiam removê-las; outro fenômeno: no sopé da serra o barro era tão argiloso de cor azulada e era matéria prima na fabricação de telhas, panelas e outros utensílios do gênero. Anos mais tarde apareceu uma "minação" de água preta de cor "petrolífera" justamente na chapada acima da nascente do Pajeú. Até hoje eu vou visitar meus parente e amigos do lugar (moro no RJ) e tenho muita alegria de falar dessas coisas, quando vou visitar meus parentes em SJB passo aí em Flores e sinto a saudade do nosso grande compositor - Zé Dantas - aproveito para desejar a todos Florenses um bon Natal e um feliz Ano de 2012. Alfredo Leoncio- Matureiense,

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