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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

JANUÁRIO CICCO

VISIONÁRIO E BENFEITOR DE SUA ÉPOCA

Moura Neto


Não havia em Natal, no início do século passado, mais do que 20 mil habitantes.
A cidade compreendia basicamente os bairros da Ribeira e da Cidade Alta. Estavam em formação os do Alecrim, Tirol e Petrópolis, os dois últimos sob a denominação de Cidade Nova. Com a construção da ponte metálica sobre o rio Potengi, em 1916, foi instalado o assentamento de Igapó, habitado por pescadores, roceiros e ferroviários.

Januário Cicco

Desde meados do século 19, o único hospital era uma espécie de pardieiro que servia de abrigos para os pestilentos. Foi nesse palco rudimentar que entrou em cena um ator que mudaria os rumos da assistência médica e hospitalar do Rio Grande do Norte: Januário Cicco.
Formado em 1906 pela Faculdade de Medicina da Bahia, Januário Cicco retornou a Natal para instalar consultório na casa dos pais, na Rua Duque de Caxias, Ribeira. Até então, apenas dois médicos atendiam toda a população natalense - Segundo Wanderley e Afonso Barata - no velho hospital da cidade.
Num período de quatro décadas e meia, porém, o filho ilustre de São José do Mipibu, nascido em 30 de abril de 1881, iria construir uma obra social inestimável, no plano material e intelectual, como apóstolo devotado à profissão que tanto honrou e precursor dos avanços da Medicina na cidade que ainda não passava de um arraial.
Sua marca está em quase tudo que foi feito naquele tempo. Na fundação de um hospital em 1909 e de uma maternidade em 1950. Criou o primeiro Banco de Sangue e o Serviço de Pronto Socorro do Rio Grande do Norte, em 1945, e uma Escola de Auxiliar de Enfermagem em 1950. Já foi dito que o Centro de Estudos da Sociedade de Assistência Hospitalar, que ele criou em 1951, foi o embrião da Faculdade de Medicina do Rio Grande do Norte que um de seus diletos discípulos, Onofre Lopes, consolidou em 1955. De sua iniciativa originou-se também um sistema de proteção à maternidade e à infância.
Destacou-se não apenas como um visionário que soube fazer por onde materializar seus sonhos e projetos, todos voltados ao bem-comum, administrando com competência as instituições que ajudou a fundar, mas também como profissional médico, atendendo em várias especialidades: parteiro, clínico, cirurgião, oftalmologista, sanitarista, além de dentista. Foi ele o responsável pela primeira operação de cisto de ovário em Natal. “Era uma força da natureza despertada para o bem da coletividade”, na definição de Aluízio Alves. “Dele, pode-se dizer que morreu de sonhar. Deve dizer-se que tombou lutando”.
Coube a Januário Cicco convencer o governador Alberto Maranhão a adquirir uma casa de veraneio no Monte Petrópolis, em 1909, para adaptá-la ao funcionamento do Hospital de Caridade Juvino Barreto, que passou a se chamar, em 1936, Miguel Couto.
Além de acompanhar as obras de reforma do imóvel, Januário Cicco assumiu a direção do estabelecimento. A princípio, havia apenas 18 leitos divididos para os pacientes dos sexos masculinos e femininos, que eram atendidos, exclusivamente, por Januário Cicco.
Somente em 1917 foi nomeado o médico Otávio Varela como seu ajudante.
Para viabilizar o funcionamento do hospital, desburocratizando o processo de aquisição de gêneros alimentícios e medicamentos, o governador José Augusto aceitou a idéia de repassar a administração daquela unidade de saúde para uma entidade civil. A Sociedade de Assistência Hospitalar (SAH), criada em 1927, tornou-se então o órgão mantenedor do Hospital de Caridade e, depois, da maternidade. O hospital foi crescendo, incorporando novos serviços e profissionais.
Em 1927, ao receber um terreno de doação do prefeito Omar O’Grady, Januário Cicco encampou a luta pela criação de uma maternidade, projeto que seria concretizado apenas em 1950, depois que o prédio, já quase pronto, foi requisitado pelo Ministério da Guerra, que o utilizou durante a Segunda Guerra Mundial como Hospital de Campanha. Se antes disso foi preciso mobilizar a sociedade natalense para a realização de festas, rifas e quermesses destinadas a angariar fundos para a obra, depois da devolução do prédio, ao fim do conflito bélico, foi preciso exigir indenização do governo federal para sua reforma. Mais uma vez estava ele, Januário Cicco, à frente dessa luta.
A inauguração da Maternidade de Natal foi um acontecimento social. O bispo de Natal, dom Marcolino Dantas, e Luis da Câmara Cascudo lideraram uma campanha para batizar a “Casa da Mãe Pobre”, como gostava de chamar seu fundador, com o nome de Januário Cicco. Ali nasceu, no dia 12 de fevereiro de 1950, o primeiro bebê, que recebeu o nome de Yvette. Uma homenagem à filha que Januário Cicco teve com a pernambucana Isabel Simões, ambas falecidas em 1937. Quinze anos depois, em 1º de novembro de 1952, falecia do coração o próprio Januário Cicco aos 71 anos.

Publicado em Nós, do RN..., suplemento do Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Norte, Ano II, nº 17, abril de 2006, pág. 13.

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