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sábado, 26 de março de 2011

NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA

NISIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA


Nísia Floresta foi a primeira grande escritora nascida em solo potiguar. Dois séculos após seu nascimento, ela continua sendo lida e estuda no Brasil e no exterior. Creio, que a primeira síntese biográfica dessa grande mulher norteriograndense, também percussora do movimento feminista no Brasil, foi publicada pelo pesquisador português Innocencio Francisco da Silva, em 1862, no seu ‘Diccionario bibliographico portuguez’, cujo verbete, transcrito às páginas 295-296, tem o seguinte teor:

D. NISIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA, nascida a 12 de Outubro de 1810, na Floresta, logar da provincia do Rio-grande do Norte, no imperio do Brasil. Eis o que a seu respeito achei escripto por um nosso compatriota, residente ha muitos annos no Rio de Janeiro, e que parece haver tractado mui de perto esta senhora: “Mulher de espirito elevado, e de coração excellente, desde a edade de vinte e tres annos trocou a brilhante aureola do prazer e da mocidade pelo lucto e pelo nobre trabalho, dedicando-se á educação das jovens do seu sexo; e nas cidades de Porto-Alegre e Rio de Janeiro exerceu esta ardua profissão por mais de vinte annos, desvelando-se por implantar nos corações de suas discipulas a par de uma educação esmerada os principios da sã moral. Possuidora de brilhantes dotes de intelligencia, deu-se com affecto ao cultivo das letras, tanto na patria como na Europa, que visitou, e habita há cinco annos (isto se escrevia no de 1859), merecendo por toda a parte o conceito de mulher superior, que conhece a fundo o coração humano. Lutando com as idéas antiquadas a respeito da educação do sexo feminino, tanto no Brasil como em Portugal, teve sempre em vista theorica e praticamente melhorar-lhe a condição, no intuito de promover a felicidade domestica das famílias”. É esta a idéa dominante em quasi todos os seus escriptos, tendo já publicados os seguintes:
Direitos das mulheres, e injustiça dos homens, por Miss Godwin; traduzido do francez. Recife, 1832. - Segunda edição: Porto-Alegre, 1833. - Consta que a versão fora revista pelo P. Miguel do Sacramento Lopes Gama; porém ignoro se tal circumstancia se accusou na obra, pois d'esta não tive occasião de ver até hoje algum exemplar.
Conselhos a minha filha. Rio de Janeiro, Typ. de J. E. S. Cabral 1842. - de 32 pag. - Segunda edição, ibi, Typ. de F. de Paula Brito, 1845. - de 39 pag. N'esta edição se accrescentaram Xl Pensamentos em verso, que não existem na primeira.
Achando-se a auctora em Florença, ahi fez imprimir a traducção que annos antes concluira dos Conselhos na lingua italiana. Publicou-se com o titulo seguinte: Consigli a mia figlia di F. Augusta Brasileira. Firenze, Stamperie sulle Logge dei Greu 1858. - de 56 pag. — Os jornaes L'Imparziale Fiorentino, de 26 de Outubro, e UEtà presente (de Veneza) de 14 de Agosto, ambos do mesmo anno contêm uma analyse e apreciação d'este livrinho, em que são elogiados, tanto o pensamento e execução da obra, como a pericia que sua auctora mostrara na lingua extranha para a qual a trasladára. Consta que no Piemonte se fizera em 1859 uma segunda edição italiana, por ordem do Bispo de Mondovi, a expensas da Associação da Propaganda de Vallença, para ser distribuida pelas suas escholas.
Sahiu ainda este opusculo traduzido em francez, com o titulo: Conseils à ma fille, par F. Brasileira Auguste, traduits de Vitalien par B. D. B., Florence, Impr. de Monnjer 1859. - de 51 pag.
Daciz ou a joven completa: historieta, offerecida a suas educandas por N. F. B. A., Rio de Janeiro, Typ. do Mercantil 1847. - de 15 pag.
A lagrima de um Caheté, por Tellesilla. Rio de Janeiro, Typ. de L. A. P. de Menezes 1849. - de 39 pag. – Poesias sobre a revolta praieira, em Pernambuco.
Dedicação de uma amiga, por B. A. Nietheroy, Typ. de Lopes & C.,  1850. Tomos I e II, aquelle de 150 pag., este de 156 pag. -É um romance historico, que se compõe de quatro volumes. Não consta porém que até hoje se publicassem o terceiro e quarto.
Opusculo humanitario, por B. A. Rio de Janeiro, Typ. de M. A. Silva Lima 1853. De 168 pag. - compõe-se este escripto de LXII pequenos capitulos, e tem por assumpto a educação da mulher. Estes capitulos haviam sido primeiramente publicados no periodico O Liberal, impresso na mesma typographia. O sr. Luis Filippe Leite (Diccionario, tomo v) escreveu acerca da obra um extenso juizo critico, sobremodo lisonjeiro para a auctora; o qual sahiu primeiro na Ulustração Luso-brasileira, jornal de Lisboa (1856), e foi reproduzido no Archivo Universal, da mesma cidade, tomo IV (1860), pag. 19 a 21, continuado de pag. 67 a 70.
Itineraire d'un voyage en Allemagne, par M.me Floresta A. Brasileira. Paris, Typ. de Firmin Didot frères, fils & O 1857. - de 208 pag.
Scintille d'un anima brasiliana di Floresta Augusta Brasileira. Firenze, Typ. Barbèra, Bianchi & C° 1859. - de 85 pag.
Além do referido, tem esta senhora muitos artigos de variados assumptos, publicados nos jornaes do Rio de Janeiro, a saber: Jornal do Commercio, Correio Mercantil, e Diario. E tambem em alguns jornaes de Paris e Florença.
No Brasil illustrado, de que foi distincta collaboradora, impresso no Rio, Typ. de N. LoboVianna 1854, publicou: Paginas de uma vida obscura, Um passeio ao aqueducto da Carioca, e o Pranto filial.
Correm tambem impressas varias poesias suas, rubricadas com as iniciaes ‘B. A.’, outras sob pseudonymos, e algumas de todo anonymas.
Conserva em seu poder, segundo se diz, ineditas: uma collecção de poesias, com o, titulo Inspirações maternas; as Memorias da sua vida, desde a mais tenra edade, que sendo impressas produziriam dous, ou mais tomos de Viagens na Italia, Sicilia e Grecia em 1858 e 1859, interessantes pelo estylo, e pelas curiosas impressões devidas aos logares historicos e pittorescos, que n'ellas se descrevem.



FONTE:
SILVA, Innocencio Francisco da. Diccionario bibliographico portuguez. Lisboa: Imprensa nacional-Casa da moeda, 1862, pág. 295-296

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