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terça-feira, 24 de agosto de 2010

FREI DAMIÃO

FREI DAMIÃO
Rúbia Lóssio
Semira Adler Vainsencher

Constitui-se em um outro santo não-canônico, inserido na categoria dos ‘iluminados’. Ao nascer, no dia 5 de novembro de 1898, em Bozzano, um vilarejo da cidade de Massarosa, na Itália, recebeu o nome de Pio Giannotti. Seus pais eram camponeses humildes e devotos.
Desde cedo, Pio Giannotti demonstrava uma inclinação para o sacerdócio. Ele iniciou os seus estudos religiosos na Escola Seráfica de Camigliano, em 1910. Aos 12 anos de idade seguiu a sua inclinação natural que o levaria, alguns anos depois, a ingressar na Ordem dos Capuchinhos, no Convento de Vila Basílica. Lá, ao receber o hábito, escolheu para si o nome de Damião.
Em 1917, Frei Damião foi convocado, pela Força Militar do Exército, para servir na frente de batalha da Primeira Guerra Mundial, juntamente com os demais irmãos capuchinhos. Após o término da guerra, ele ainda permaneceria ainda por três anos acampado na região de Zarra, na fronteira da Itália, que era disputada com a antiga Iugoslávia. Por ter presenciado a enorme carnificina da guerra, esse foi um período da sua vida que lhe deixou profundas e amargas recordações.
Em 1923, quando retornou ao Seminário, foi ordenado sacerdote na Igreja de São João Latrão, em Roma. Nesse período, ingressou no Colégio Internacional, cursando Teologia, Filosofia e Direito Canônico. Concluídos os estudos, ele se matriculou na Universidade Gregoriana, tendo concluído o doutourado em Teologia Dogmática.
Frei Damião voltaria ao convento de Vila Basílica para assumir o cargo de vicemestre dos noviços, onde passou a lecionar até 1931. Neste mesmo ano, foi convidado pelos seus superiores a fazer uma escolha entre duas opções: permanecer como professor ou se tornar missionário no Brasil. Frei Damião seguiu a voz do seu coração e decidiu pela missão de evangelizar. Dias depois, embarcava rumo ao Brasil e viria para o Recife. Foi somente nessa cidade que ele veio adotar, definitivamente, o nome de Frei Damião, com o designativo de sua terra natal Bozzano.
Pouco tempo depois de chegar no país, o religioso celebrou a sua primeira missa no dia 5 de abril de 1931, na cidade de Gravatá, situada no agreste pernambucano. No mês seguinte, passaria três dias consecutivos ouvindo os fiéis, em confissão. Foi precisamente esta atitude do Frei aquilo que mais lhe deu um grande prestígio: ele tinha conquistado, assim, a admiração da população católica daquela região.
Logo no início, por conta da mudança de idioma, ele tinha dificuldades para se comunicar com os fiéis, utilizando uma linguagem gestual. Mas, isto durou pouco e ele logo aprendeu a língua portuguesa. Durante a Segunda Guerra Mundial, Frei Damião foi proibido de realizar missões, devido à sua origem italiana: teve de permanecer recluso, em um convento em Maceió, até 1945.
Com o passar do tempo, Frei Damião se tornou mais conhecido no Nordeste. Em suas missões e romarias pelos lugarejos mais distantes da região, ele reunia milhares de fiéis e romeiros, que caminhavam muitos quilômetros a pé ou viajavam em caminhões para assistir ao grande ato de fé.
Frei Damião também fazia casamentos coletivos e batismos, dava sermões, ouvia confissões, entre outros. Ele iniciava os seus trabalhos de peregrinação às quatro horas da madrugada. Saía em procissão, por ruas e estradas, em busca das comunidades mais distantes e necessitadas, acordando a todos com o badalar de um sino, com cânticos e orações. Devido às suas constantes peregrinações pelo interior do país, pregando o evangelho, ficou sendo conhecido como o andarilho de Deus.
Frei Damião foi ainda o único pregador que visitou o Nordeste em uma missão franciscana. Ele recebeu centenas de medalhas e condecorações, inclusive títulos de cidadão honorário em vinte e sete cidades brasileiras. Na literatura de cordel, o Frei representou um motivo de inspiração para muitos trovadores e cordelistas, que escreveram centenas de folhetos relatando a sua vida missionária, os seus milagres, os testemunhos pessoais e o seu imenso prestígio popular.
Contudo, a falta de cuidados pessoais durante a intensa vida missionária repercutiu negativamente em sua saúde: Frei Damião adquiriu uma deformação progressiva, causada por problemas de cifose (corcunda) e escoliose, os quais lhe causaram dificuldades para respirar e falar.
Os seus últimos anos de vida foram muito sofridos. Segundo o depoimento dos médicos que o assistiam, desde jovem ele já era acometido por uma insuficiência cardiovascular periférica e pela presença de erisipela, doenças que só se agravaram com as longas peregrinações. Frei Damião de Bozzano veio a falecer aos 98 anos de idade, no dia 31 de maio de 1997, no Hospital Real Português, no Recife.

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Parte do estudo ‘Santos não-canônicos: Presença da cultura popular nos mercados públicos de Recife/Pernambuco - Brasil.

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